Diz que disse – os rumores nas organizações

Os rumores numa organização são como um vírus altamente contagioso e que se agrava com o tempo. Por exemplo, se alguém diz que “o colega lhe comeu um chocolate”, a informação vai crescendo para “o colega roubou um chocolate” e depois “o colega roubou” e a seguir “o colega roubou documentos importantes” até “o colega faz espionagem industrial” – este exemplo pode acontecer em qualquer outro tema, pois já diz o velho ditado que “quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto”. A função de um bom líder, perante esta situação, é ir à raiz do problema e fazer uma boa gestão de pessoas, que passa por saber ouvir e ser assertivo. Quando isto não acontece, as empresas ficam escravas dos rumores, o que na verdade demonstra uma volatilidade nos recursos humanos. E se isto acontecer, o prognóstico não é bom, ainda que os rácios de volatilidade financeira sejam excelentes.

Um trabalhador que é extremamente competente em termos técnicos, mas que é igualmente tóxico e difamador, é um bom profissional? Vale a pena ter alguém assim numa organização? As grandes empresas apostam cada vez mais na prevenção e na inserção de valores nos recursos humanos. Quando nem isso chega, já há muito que se obrigam os funcionários prevaricadores a sessões de formação e coaching. Em Portugal, onde as empresas têm décadas de atraso, os patrões têm tendência a colocar vendas nos olhos às más práticas e tampões nos ouvidos aos rumores, a não ser que sejam eles próprios os visados. O resultado, claro está, é um trabalho de excelência e uma produção de qualidade serem implodidos. A conclusão é que não basta a uma empresa ter trabalhadores com formidáveis competências técnicas e vantagens comparativas, se a organização não tiver uma missão, valores e objetivos bem determinados.

Eu tive bastante sucesso numa determinada rede social há alguns anos, chegando a ser citado em praticamente todos os meios de comunicação social. O reverso da medalha foi ficar a saber como uma figura pública é facilmente difamada como sendo bêbada, drogada, esquizofrénica, homofóbica, lunática, suicida, problemática – e se uma pessoa se defende e diz, por exemplo, que raramente bebe, então é porque é de certeza uma bêbada inveterada disfuncional. A maneira de pensar do povo português, perante o sucesso de outro, tem sempre a tendência invejosa de difamar da forma mais criativa possível. E o rumor parece ter vida própria: pode crescer e sobreviver aos tempos, ainda que seja uma mentira nojenta; ou pode cair no esquecimento. O que as pessoas têm de ter consciência, é que falar sobre a vida dos outros ou repetir o que se ouviu no café, pode ser uma prática criminosa com consequências graves. Vivemos num Estado de Direito onde a injúria, a difamação e a calúnia, podem custar caro. Talvez seja importante muita gente pensar nisto.

Em termos de políticos, os rumores crescem de forma exponencial e todos nos lembramos do primeiro-ministro que a única coisa que fazia era utilizar a residência oficial para dar grandes festas, ou do governante que andava metido com um líder partidário, ou outras imaginações delirantes. A única verdade é que todo o português pensa saber tudo sobre este ou aquele político, sendo que num ápice passa de mecenas, estadista e humanitário, para ditador, estúpido e incompetente. Ou seja, todo o político tem de ter “poder de encaixe” para não se impressionar com as maledicências – o que não quer dizer que não ouça as preocupações e anseios do povo e aqui há muito confusão: a maioria dos políticos de hoje vive dentro de uma bolha de egocentrismo, comportando-se como verdadeiras divas, celebridades de Hollywood.

O rumor é uma forma de muita gente expressar frustrações pessoais, que muitas vezes nada têm a ver com o seu conteúdo. Ou seja, neste caso aparece como maneira de desviar a atenção do próprio emissor do rumor. Sendo que também é verdade que os indivíduos com maiores fraquezas de personalidade e limitações interiores, têm por hábito diminuir o próximo. Isto acontece com frequência nas empresas: quem se sente inferior em termos técnicos, tem tendência para menosprezar e acusar um colega, normalmente o novato ou estagiário. Para o funcionário com este tipo de comportamento, além da sensação prazerosa de se sentir superior por momentos, é a única forma de se destacar perante os superiores. Se a organização não tomar medidas assertivas logo de início, este é um vírus que pode fazer muitos mais estragos do que uma pandemia.

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