Um Poderoso Português a Tremer?

São chocantes as imagens de João Rendeiro a tremer em frente ao juíz sul-africano. E são chocantes porque sabemos bem que em Portugal não é assim que funciona a justiça para os ricos e poderosos. É evidente que se fosse por cá, o senhor Rendeiro já estaria na sua casa de férias no Algarve a ver a Cristina na televisão e a rir-se de todos nós, ou na pior das hipóteses numa prisão especial em retiro espiritual, não numa prisão de pobres sujos e imundos, como o resto de nós. Porque é que isto é assim? Porque somos um povo manso, domesticado e corruptível. Fingimos acreditar no que os governantes dizem, enquanto recebemos esmolas de suas excelentíssimas altezas para ficarmos quietos e calados. Até quando?

Os políticos fartam-se de falar em separação de poderes, mas não é porque acreditem realmente nisso ou porque a constituição serve oara alguma coisa, mas sim para manipular, nomear, aumentar salários e tudo o que for preciso para influenciar a justiça fora do olhar público e do povo que os sustenta a todos. Mas estão todos a esquecer-se do fundamental: as leis e a justiça foram feitas para servir os cidadãos, não os cidadãos para servir a lei e a justiça. A sociedade tem políticos, que não são nada baratos, para que governem de forma competente, equilibrada e igualitária. A sociedade tem leis e juízes, para que previnam e punam que atenta contra as regras, a ordem e a paz. Se nem políticos ou juízes fazem o seu trabalho como deve ser, é fundamental que saiam e sejam substituídos. Devia ser assim: simples, democrático e transparente, que é tudo o que não existe na sociedade portuguesa.
Precisamos mudar urgentemente, deixar de ser mansos e passivos. Exigir um novo sistema político, participativo e colaborativo. Estamos fartos de ouvir novos partidos a falar mal dos “donos disto tudo” para perceber que afinal o que eles querem é ser os novos “os donos disto tudo”. Precisamos mudar urgentemente, ser donos do nosso futuro, começando com um presente em que a justiça seja igual para todos e que não seja chocante ver um poderoso português a tremer e chorar num tribunal africano.

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