Cabidela Vegana

Não sei se este artigo é sobre ambientalismo, veganismo, aprendizagem ou redenção. A primeira coisa que tenho de dizer é que não percebia muito sobre as diferenças entre vegetarianismo e veganismo: tive de investigar e conhecer um pouco sobre o assunto. Quero aqui deixar um parêntesis: as pessoas mais inteligentes e com verdadeira sabedoria, têm poucas certezas – pelo contrário, têm a mente aberta, o espírito livre, são cheias de curiosidade e prontas para receber novas perspetivas sobre a vida.

Quando comecei a escrever este texto, tinha duas certezas sobre as minhas crenças pessoais: a compaixão é uma das principais virtudes que nos faz humanos e é aquilo que mantem os nossos olhos abertos para a beleza interior e à nossa volta. É um preceito fundamental no budismo e está enraizado nas abordagens psicoterapeutas de terceira geração. E é essencial, descobri eu, para entender o veganismo, que tem na sua base essa benevolência solidária para com todos os seres vivos. Já o ambientalismo, como o defendi durante este ano na atividade politica, pressupõe a defesa do meio ambiente e a harmonia entre os seres humanos e a natureza circundante.

Se o budismo, o ambientalismo e o veganismo estão na moda, por razões diferentes, o seu entendimento profundo passa ao lado da sociedade. O budismo é uma religião que advém de uma cultura completamente diferente da nossa e embora possa ter alguns ensinamentos extremamente úteis numa sociedade ansiosa e materialista, esbarra com as raízes da nossa civilização ocidental e com a cultura milenar que nos corre nas veias, nomeadamente a nossa forma de agir, criar, pensar e ser. Embora possa trazer perspetivas inovadoras à psicologia e conselhos pragmáticos a qualquer pessoa, a tal dificuldade de absorção criou um “budismo ocidental” que afasta tradições, crenças e práticas do seu núcleo antigo.

O ambientalismo não tem uma origem exclusiva no budismo, já que mesmo o cristianismo sempre deu importância ao assunto, como no caso de Francisco de Assis. Mas é evidente que o respeito por todos os seres vivos está inerente às crenças básicas budistas. O que não quer dizer que seja necessário ter qualquer religião para se ser ambientalista. É cada vez mais universal a percepção de harmonia nas condições biológicas, físicas e químicas nas quais os seres vivos se desenvolvem. No entanto, sempre desconfio da intenção das convenções globais sobre o assunto, organizadas por políticos com agendas próprias e lobbies com interesses em energias alternativas. Mesmo a propaganda que vemos na comunicação social sobre ambientalismo, traz consigo motivações que são quase sempre hipócritas e pouco claras. E os partidos políticos ditos ecologistas são uma farsa para enriquecer meia-dúzia e alimentar egos a outros tantos protagonistas.

Sobre o veganismo, comecei estas palavras com a ideia de que seria mais uma prática hedonista, mas mudei a minha opinião. Há pessoas que têm uma compaixão genuína por todos os seres vivos, que advém dessa procura pela harmonia com o que rodeia a humanidade. E também aprendi que não tem de minimizar o amor pelo próximo, o ser humano, nem colocar em segundo plano a compaixão pelas pessoas que sofrem. Admiro agora o veganismo, embora não seja capaz de o praticar, esperando que todos os seus seguidores consigam esse nível de entendimento de relacionamento pacífico e harmonioso com o que é endógeno ou exógeno à humanidade.

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