Restauração da Independência?

A Restauração da Independência comemora-se anualmente no dia 1 de Dezembro. Enquanto a maioria passa ao lado do significado deste feriado, há alguns que clamam a grandeza da memória desta data. Mas será que faz sentido esta celebração? A resposta é surpreendente, pelo menos no que se refere à natureza da expressão. Eu explico: a submissão a Espanha durante os tais setenta anos nunca existiu, pois se é verdade que partilhamos o mesmo rei espanhol, também é certo que continuámos a manter moeda própria, governo, leis, tribunais e exército, com uma identidade nacional que nunca se submeteu de maneira formal. Evidentemente, o risco de perda de independência foi real neste período da monarquia dualista e por isso mesmo é que  o Duque de Bragança e o povo português, fruto de uma coragem intrínseca, devolveram a coroa portuguesa ao legítimo herdeiro.

Nos dias que correm, há uma crescente perda da nossa identidade e valores, em detrimento de modas globalizantes e ideologias autocráticas. Perante este cenário, cada vez mais evidente, será justo fazer um paralelismo com o período de governação filipina e perguntarmo-nos se a nossa independência não se esvai cada vez mais. Não temos moeda própria, estamos economicamente e politicamente dependentes de outros, o nosso exército é continuamente desrespeitado e até as leis se submetem a interesses externos. Havendo ainda mais razões para clamarmos por independência, porque baixamos os braços? Receber uma esmola europeia compra o nosso silêncio e a nossa resistência?

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